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Archive for julho \20\UTC 2010

Não sou exatamente o que se pode chamar de pessoa religiosa. Mas tenho minha fé. Leio muito a Bíblia e a considero, até mais que um livro sagrado, um manual de vida.
Sempre que me deparo com alguma situação difícil, como agora, encontro lá grandes lições, ensinamentos, instruções.
Esses dias ando precisando de coragem, de força. Aí me lembrei das palavras do apóstolo Paulo em II Coríntios, 12:10b:
“Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.
Gosto de Paulo. Penso que se ele vivesse nos dias atuais, eu ia gostar de trocar idéias com ele. Acho mesmo que teríamos grandes embates. Sim, porque eu o considero um homem de grande sabedoria, mas também o acho muito autoritário… rsss… Deve ser essa minha mania de não gostar que me ditem regras.
Mas, incompatibilidades temperamentais à parte,  Paulo às vezes me surpreende. Parece contraditório, paradoxal.
Como alguém pode se sentir forte justamente num momento de fraqueza? Pois é… grande Paulo! De contradição, suas palavras não tem tem nada.
O que ele quer aí é justamente dar um sentido ao sofrimento, mostrando que é possível superá-lo e crescer com isso. E, parece irônico, mas é exatamento no momento em que estamos nos sentindo mais fracos que nossa força aparece. E o meu Paulo autoritário e mandão, de repente se mostra humilde, reconhece sua fraqueza, admite sua incapacidade de vencer sozinho e ensina com isso que, se aprendermos a depender de Deus, nossa fraqueza se transformará em força.
É muito fácil ser forte e corajoso quando tudo vai bem. Aí nos sentimos super poderosos, autosuficientes. Mas Paulo mostra que a verdadeira força está em reconhecer que não podemos fazer nada por nós mesmos. Ser humilde, nesse caso, é reconhecer nossa dependência de Deus em todas as coisas. Sem Ele, a cruz fica muito mais pesada, senão impossível de carregar.

Além dos ensinamentos de Paulo, podemos aprender a encontrar força na fraqueza por meio dos incontáveis casos de pessoas que existem por aí. Acho que cada um de nós sabe de um, senão de vários exemplos.
Alguns, no entanto, me impressionam. Vejam os três abaixo:  

Em 1994, aos 26 anos, Mara Gabrilli ficou tetraplégica após um grave acidente de carro. Além de encontrar força no que, para muitos, seria uma fraqueza, ela passou a lutar pelos direitos dos deficientes físicos, como melhores condições de acessibilidade, reformas nas calçadas e rampas de acesso às lojas, repartições públicas, hospitais, ônibus adaptados etc.
Em 2005 foi convidada por José Serra para assumir a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SEPED).
Mara ainda é psicóloga, publicitária e vereadora em São Paulo, além de fundadora da organização não-governamental “Projeto Próximo Passo”, atualmente “Instituto Mara Gabrilli”.
Há vídeos dela no Youtube, se alguém quiser saber mais.

Marcelo Cherto, do Grupo de Consultoria Cherto conta em seu blog que em Bauru, SP, no Centrinho – apelido carinhoso do Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio Palatais da USP – há uma fonoaudióloga surda. Isso mesmo, uma fonoaudióloga surda!!!
Segundo Marcelo, ela aprendeu a falar e, quando a conheceu ele julgou que ela era uma estrangeira que falava o português com um certo sotaque indefinido.
A deficiência, que poderia ser uma fraqueza, também se tornou uma força, visto que a moça acabou se tornando capaz de diagnosticar com precisão os problemas de seus pacientes, além de criar um elo de confiança entre eles e seus pais. Ela é vista por todos como a prova viva de que é possível ser produtivo, feliz e realizado, mesmo sendo portador de uma deficiência séria.

No Shopping Eldorado, em Pinheiros, SP, fica a loja Casinha Pequenina, especializada em miniaturas. Lá se pode encontrar todo tipo de miniaturas, como casinhas de bonecas, móveis, enfeites, jóias, instrumentos musicais, etc.
O detalhe mais impressionante: as proprietárias da linda loja são as irmãs Mila e Adriana Cabral. Ambas são anãs. O que poderia ser uma fraqueza para muitos, tornou-se uma força para elas, que usaram o próprio tamanho como estratégia de marketing. A loja é um sucesso!

Bom, eu não sou um grande exemplo, mas já passei por situações em que me senti fraca, incapaz de enfrentar e minha força também acabou aparecendo. 
Nesses momentos, fico me perguntando, além da fé, o que leva alguém a conseguir encontrar força na fraqueza? Descobri que existe uma palavra para isso. Resiliência.
Resiliência, na física é a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido tensão. Por exemplo, uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite e, além de não se quebrar, ainda impulsiona o atleta para o alto.
No mundo corporativo, a palavra é usada para identificar pessoas que conseguem retornar o equilibrio emocional após pressões e estresses.
Já a psicologia usa o termo para designar aqueles que tem a capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem surtar.
A Professora Dra. Sandra Maia Farias Vasconcelos, ressalta que, apesar de a resiliência ser íntima e pessoal, não se é resiliente sozinho. Apoio e acolhimento são fundamentais. Segundo ela, alguns autores deram diferentes nomes a esses acolhedores e apoiadores, tais como mentores de resiliência, tutores de resiliência, figura de apego, etc.
Eu os chamo de anjos e amigos. São eles que nos ajudam ter coragem para admitir nossa limitação e a encontrar força na fraqueza.

Esse post é então, especialmente hoje, Dia do Amigo, minha homenagem a todos vocês, meus anjos amigos, que tem estado ao meu lado em todos os momentos me ajudando a levar a minha cruz e me ensinando a ser cada vez mais forte. E resiliente. Obrigada.

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Diz o ditado popular que se conselho tivesse valor, não seria dado de graça, mas sim, vendido.
Realmente, quando outra pessoa nos diz o que devemos fazer, a sensação é de desconforto. Ao menos pra mim.
Talvez eu seja intolerante demais, mas tenho uma dificuldade extrema em lidar com pessoas que tem mania de dar conselhos. Não gosto de sentir que estão tentando me forçar a agir dessa ou daquela maneira.
Acredito que muitas pessoas dão conselhos até sem perceber que estão, de certa forma, forçando o outro a determinado comportamento. A intenção é ajudar, dirão os “conselheiros”.
Quem gosta de dar conselhos acredita, no íntimo, que o outro é incapaz, que vai fracassar se não fizer o que está sendo aconselhado. Ou seja, acha que o que é certo pra si mesmo, deve, automaticamente, ser o certo para o outro. Mas isso não é verdade. O que serve pra você, nem sempre serve pra mim.

Quando me abro com alguém, não espero ser aconselhada. Espero ser ouvida, compreendida. Espero que quem me ouve saiba ter empatia, saiba ou, pelo menos tente, compreender como me sinto, sem me julgar e me deixe vivenciar aquilo que eu mesma estou dizendo e, assim, descobrir meu próprio caminho.
Quando alguém me interrompe e diz “Se eu fosse você…” eu já percebo, de cara, que a pessoa sequer está me ouvindo, que dirá me compreendendo.
Afinal, você é você. Se você fosse eu, você estaria agindo exatamente como eu.

Às vezes, quando abrimos nosso coração a alguém, estamos cheios de dor e precisamos apenas de ser ouvidos para podermos suportar mais uma parte do caminho.
As frases “se eu fosse você”, “se eu estivesse no seu lugar”, “se fosse comigo”, para mim soam como egocentrismo. Quem começa um diálogo assim está sendo incapaz de ouvir, compreender, ajudar o outro a descobrir, ele mesmo, seus porquês, seus caminhos.

No site http://www.celitomedeiros.com há uma ilustração muito interessante sobre como ajudar sem dar conselhos:

O conto do patinho
(Celito Medeiros)

Havia um patinho que andava muito triste. Procurou um amigo para desabafar e disse:
– Tenho um dono que me maltrata muito. Todo dia me tranca num galinheiro às cinco da tarde e só me solta no outro dia às dez. Que vida terrível estar preso quando se quer bem cedo sair por aí e nadar nos riachos, beliscando plantas orvalhadas antes do sol da manhã! Mas aquele cão idiota de meu dono é tão vagabundo que só levanta tarde e me deixa naquele galinheiro fedido até tarde.
Ora! Se fosse um “pateiro”, mas um galinheiro? O que vou fazer da minha vida? Acho que vou me suicidar!
Então seu amigo, que conhecia de comunicação, lhe disse:
– Bem, se você se suicidar, provavelmente não será mais preso por ele. Mas… O que você poderia fazer para mudar as coisas e continuar feliz?
O patinho disse que não sabia e que não encontrava alternativas.
– Bem, disse o amigo, então o que você poderia fazer para que seu dono não o prendesse?
– Sei lá, estou confuso e não sei o que fazer! Diabos, estou numa enrascada e tanto! Todo mundo é feliz e eu me encontro nesta situação. Ajude-me! Aconselhe-me! O que devo fazer?
Mais uma vez o amigo prudente lhe perguntou:
– Se você não quiser ser preso e dormir no galinheiro o que você poderia fazer para evitar?
Pensando bem… – disse o patinho – só se eu me esconder lá embaixo na curvinha do rio, onde existem aquelas plantas, e então ele não me achará e por isso não me poderá prender!!!
Então o amigo lhe perguntou:
– E por que você não faz isto? …
Então o patinho chegou a se ajoelhar para o amigo, beijar seus pés, e disse:
– OBRIGADO amigo, por sua ajuda e idéia tão brilhante! De hoje em diante meu dono não mais me prenderá, e quer saber? Nem terei mais DONO!

É uma estória apenas. Mas contém muita sabedoria. Notem que o patinho até insistiu em “ser aconselhado”. Mas seu amigo, profundamente empático, soube compreender. E ao compreender, permitiu que o patinho amadurecesse, crescesse. E encontrasse, ele mesmo, a solução.
Ali houve, verdadeiramente, comunicação. E quando há comunicação, os conselhos são desnecessários.

(Imagem: www.universomutum.blogspot.com)

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