Feeds:
Posts
Comentários

Archive for outubro \28\UTC 2010

Acho que maioria de vocês já assistiu “A Corrente do Bem”. Quem ainda não, pode locar e assistir porque é um filme lindo. Considerado utópico ou piegas por muitos, a verdade é que a história nos dá uma enorme lição de vida.
Um professor sugere como trabalho que seus alunos pensem num jeito de mudar o mundo e coloquem isso em prática. O pequeno Trevor cria então a corrente do bem: fazer uma boa ação para três pessoas que deverão passar isso pra frente, ou seja, cada uma fará uma boa ação para outras três e assim, a corrente irá crescendo progressivamente.
Não quero discutir o filme aqui. Mas quero contar como é interessante quando a gente percebe essas coisas acontecendo na vida real.
Nos últimos meses tenho sido abençoada por diversas pessoas e de diferentes formas. Apesar de eu já saber que essas pessoas são mesmo donas de um coração incrível, ainda assim fico emocionada pelas atitudes delas.
Já comentei aqui como as doenças às vezes nos causam, além de transtornos emocionais, dificuldades financeiras, certo? Pois é… no meu caso, precisei fazer um exame muito específico e caro. Aqui em BH ele só é realizado em um lugar, não é feito pelo SUS e só é coberto pelos planos de saúde em casos de câncer de pulmão ou linfoma. Talvez por isso seu preço é, na minha opinião, exagerado. Mas como é um exame muito preciso e eu dependia mesmo dele, resolvi fazer e depois me preocupar em como faria para pagar.
Foi aí que a corrente do bem me alcançou. Diversas pessoas do meu trabalho se mobilizaram, sem que eu soubesse, e reuniram uma quantia que me ajudou a pagar mais da metade do valor do exame.
Entre as pessoas que participaram dessa corrente havia amigos pessoais, colegas com quem eu tenho contato apenas profissional, pessoas que eu apenas conhecia de vista na empresa, alguns que eu sequer conhecia e mesmo pessoas com quem eu havia tido divergências e com as quais eu nem me dava bem.
Foi um gesto que me emocionou muito, me ensinou grandes lições e eu creio que foi usado por Deus para trabalhar a humildade em mim.
Então, contrariando os que consideraram o filme utópico, posso dizer, por experiência própria, que a “corrente do bem” existe, sim.
Todos nós já vimos isso. É frequentemente noticiado como as pessoas se tornam instantâneamente solidárias diante do sofrimento de outras. Um exemplo são as doações aos atingidos por catátrofes naturais.
A boa notícia é que isso realmente se espalha. As pessoas quando são beneficiadas por atos de bondade, tendem a “passar o bem adiante”, ajudando outras, às vezes de outras formas, mas isso acaba por criar um tipo de efeito dominó, influenciando outras e assim por diante.
Segundo pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos EUA, “somos nascidos para o amor”. Isso desafia uma antiga noção de que os seres humanos seriam fisiologicamente constituídos para serem egoístas. Um pregador ateu, Richard Dawkins, teria propagado essa idéia através de seu livro “O Gene Egoísta”, mas felizmente, os estudos dos pesquisadores Berkeley mostram evidências de que estamos evoluindo mesmo é para nos tornarmos mais cheios de compaixão e solidariedade.
O psicólogo Dacher Keltner e seus colegas defendem que os seres humanos são tão bem-sucedidos como espécie precisamente por causa do nosso carinho, altruísmo e compaixão.
Veja a matéria completa aqui.

E sobre a “minha” corrente do bem? Sou imensamente grata. Foi realmente uma grande ajuda e espero ter sempre a chance de continuar passando-a pra frente.
Peço a Deus que retribua a cada um que participou dela. E sei que Ele o fará. É nesse momento mesmo, quando deixamos de pensar em nós pra ajudar nosso próximo, que Ele nos abençoa. Conforme está escrito no livro de Jó, 42:10:
“Mudou o Senhor a sorte de Jó, enquanto ele orava pelos seus amigos; E deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuía.”

Este post é uma pequena e muito simples homenagem de agradecimento a todas as pessoas que participaram dessa corrente. Em especial, meus colegas da Copasa. Obrigada. Sem vocês eu não conseguiria seguir em frente.

Anúncios

Read Full Post »

Há um tempo atrás, recebi um e-mail com diversas frases consideradas ridículas. Uma delas era essa:
“Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar”.
É… a primeira vista, parece mesmo ridículo. Meio óbvio que, se damos um passo à frente, não estamos mais no mesmo lugar. O que o autor do e-mail talvez não tenha se dado conta é do que, de fato, significa dar um passo à frente.
A frase em questão é do cantor e compositor pernambucano Chico Science, morto precocemente em 97.

Um passo à frente. Nos últimos dias eu tenho experimentado o quanto é difícil dar um simples passo. Mas também tenho sido abençoada com a percepção de quanto isso significa.
Em meu post anterior, contei sobre o momento delicado pelo qual estou passando. Hoje, após um mês da minha cirurgia, estou de volta prá compartilhar com vocês como as coisas vem acontecendo. Tem sido sempre assim, devagar, um passo de cada vez. Mas cada um desses passos significa uma vitória.
Graças a Deus e a tantas pessoas queridas que estiveram em oração por mim, entrei relativamente calma no centro cirúrgico. Tive a bênção de ser acompanhada por um anestesista e dois assistentes muito gentis, que me deixaram bem tranquila. Sobre meu médico, sou mesmo suspeita prá falar. Dr. Alberto Weinstein, um anjo que Deus usou pra cuidar de mim. A cirurgia foi um sucesso e pude voltar prá casa em três dias. O pós operatório não foi tão tranquilo assim, mas considerando a gravidade e o tamanho da cirurgia, acho que tenho me saído bem.
Por ter ficado muito tempo na mesma posição, consegui uma ferida enorme na “retaguarda”, a tal úlcera de decúbito. Minha perna esquerda está sem sensibilidade do joelho pra cima e tenho apresentado alguns sintomas de linfedema. Mas Deus, como sempre, vem usando seus anjos pra me ajudar e tenho sido muito bem assistida. Algumas coisas são mais difíceis. Fazer o curativo no traseiro, por exemplo, tem sido uma luta. Tenho que fazer contorcionismo prá conseguir enxergar e colocar o esparadrapo no lugar certo. Nos primeiros dias, gastava um tempo enorme e quase um rolo de esparadrapo por vez. Mas, como diz Chico Science, “um passo à frente” e hoje eu sou quase especialista em curativos…rsss…
A barriga e a virilha estão praticamente cicatrizadas, ainda ando com um pouco de dificuldade e não aguento ficar muito tempo sentada, mas já estou voltando à minha vida normal. Em meados de outubro devo começar a segunda parte do tratamento. Talvez eu faça quimio ou imunoterapia. Já passei por isso. Sei, mais ou menos, o que me espera. Mas não estou mais no mesmo lugar, então, mesmo que o tratamento seja o mesmo, acredito que estou mais forte, já dei muitos passos à frente e o que tiver que ser será.
No momento, estou feliz por estar de volta ao blog. Já estava mesmo ansiosa por isso. Minha cabeça andava fervendo de palavras e meus dedos loucos para digitá-las.
Quero dizer que estou profundamente grata a Deus e a cada um de vocês que estiveram e estão ao meu lado. Tenho recebido tanto carinho, de tantas e diferentes formas, que só posso mesmo agradecer.
Amigos de todas as partes, de perto, de longe, amigos reais e virtuais, amigos antigos, novos amigos, amigos que eu julgava ter perdido, amigos que eu nem sabia que eram meus amigos… mas todos muito queridos, tem me enchido de força e me ensinado grandes lições. Obrigada. Obrigada. Obrigada.

Um passo à frente e eu já não estou mais no mesmo lugar. Coisas que me pareciam tão importantes, hoje não tem assim tanto sentido. Outras a que eu não dava tanto valor, são essenciais agora. Tenho aprendido a ter paciência, a não querer controlar tudo que me acontece, a ter humildade prá pedir ajuda. Estou aprendendo a ir fazendo, um passo por vez, o meu caminho. Aprendendo, enfim, a viver um dia de cada vez. E a ter esperança.
E o que é a esperança, afinal? Prá terminar também com Chico Science, “esperança é quando a dor presente nos faz tentar outra vez”.

Um beijo grande em cada um de vocês, meus anjos amigos!

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: