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Archive for dezembro \31\UTC 2011

5S INTERIOR

5S são as iniciais de 5 palavras japonesas que amparam o programa de mesmo nome. São elas: Seiri (Senso de Utilidade), Seiton (Senso de Arrumação), Seiso (Senso de Limpeza), Seiketsu (Senso de Saúde) e Shitsuke (Senso de Disciplina).
Fazer um 5S nada mais é que “arrumar a casa” ou fazer “hausekeeping”, como se diz em inglês.
O Programa 5S foi desenvolvido com o objetivo de transformar o ambiente das organizações e a atitude das pessoas, melhorando a qualidade de vida dos funcionários, diminuindo desperdícios, reduzindo custos e aumentando a produtividade das instituições.
O 5S também pode ser utilizado na vida pessoal para organizarmos nossas casas, armários, gavetas, cozinha, etc. Dessa forma, reduzimos despesas e poupamos energia.
Aproveitando os princípios do programa e o clima de renovação que sempre nos envolve no final do ano, pensei em como pode ser bom fazer um 5S ainda mais pessoal. Um 5S na mente, na alma, no coração.
Da mesma forma que nas empresas e em casa, podemos aplicar Seiri naqueles cantinhos escondidos do coração, onde costumamos entulhar sentimentos e ressentimentos que, em geral, não nos trazem nenhum benefício. Uma amargura enraizada, uma ofensa guardada, um rancor que nem tem mais sentido. Coisas que certamente não devemos e não precisamos usar mais. Que podem ser descartadas, dando espaço ao novo, ao afeto, às novas amizades, ao perdão.
Como no Programa original, tudo aquilo que está ocupando espaço e não tem utilidade deve ser eliminado. E quer coisa mais sem utilidade que ressentimentos e mágoas?
Após essa “faxina espiritual”, o próximo passo é o Seiton, que significa organizar, deixar as coisas em ordem, colocar tudo no seu devido lugar. Assim, ofensas ficam do lado de fora, palavras de apoio e afeto devidamente encaminhadas aos corações certos. Emoções e sentimentos devem ser separados e organizados de forma a estarem disponíveis para serem usados nos momentos necessários. Devemos definir a quantia ideal para cada coisa. Assim, nada de preocupações em excesso ou palavras desnecessárias extrapolando pela boca.
Em seguida, o Seiso, que vai nos ajudar a promover a harmonia espiritual. Mais que apenas limpar, podemos efetuar algumas mudanças em nosso layout interior: quebrar algumas paredes de preconceitos, mudar nossa posição sobre determinado assunto, melhorar a iluminação dos cantos mais obscuros, plantar sementes de amor perfeito…
Agora, é a vez do Seiketsu, o nosso senso de asseio e higiene mental. Manter o sorriso sempre limpo, as palavras perfumadas, os gestos bem cuidados. Certamente essa aparência interior vai ser prontamente notada exteriormente.
Finalmente, o Shitsuke, o senso de autodisciplina, fundamental para controlar e manter as conquistas realizadas. Com o Shitsuke, aprendemos a nos educar para termos boas atitudes mentais e espirituais por meio de prática constante e aperfeiçoamento.
Incorporando os princípios dos 5S como uma meta de vida, buscando sempre o autoconhecimento e aprendendo a manter padrões éticos de conduta, consequentemente, teremos uma mente mais arejada e o aumento de nossa capacidade afetiva.

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FLOR SEM NÁUSEA

 

Ultimamente, ando me sentindo assim, meio como a flor do Drummond.Mas sem náuseas. Aleluia!!!
E nem precisam fazer silêncio. Ao contrário, façam completa algazarra, façam festa! Cantem e comemorem comigo cada novo dia, porque eles tem sido realmente uma bênção e uma vitória!!!
Há mais de um ano eu não vinha tendo ânimo para “plantar” minhas abobrinhas no Nanbiquara. Deixei-o aqui, meio abandonado…
Sim, eu tinha muito o que dizer. Mas, não sei explicar, as palavras não saíam. Pareciam entaladas, congeladas dentro de mim. Talvez esperando se tornarem flores…
É, eu só queria escrever coisas bonitas, contar coisas boas. Mas não era bem assim que a vida transcorria. E eu não queria parecer chorosa, reclamona e, nem de longe, lembrar a hiena do “oh, dia, oh, céus, oh vida!!!
Ninguém tem obrigação de ser meu “muro das lamentações”. Assim era a ideia ao criar o Nanbiquara. Falar abobrinhas, amenidades, coisas alegres e engraçadas.
Mas a vida não é sempre alegre, não é sempre engraçada. Tive e ainda tenho momentos de muita provação, muita luta.
Desde a minha última postagem, em novembro de 2010, muita coisa aconteceu. Em um breve resumo para todos aqueles que tem acompanhado a minha luta, devo dizer que não foi e continua não sendo fácil.
Após a cirurgia a que me submeti em setembro/2010, iniciei o processo de quimioterapia durante 2 meses, a princípio, 3 vezes por semana, com Interferon.
Em abril, em consequência do excesso de medicação, meu fígado não suportou e tive uma trombose hepática que gerou uma embolia pulmonar. Segundo os médicos, quase fui pro apartamento de cima. Mas parece que não tava tudo pronto por lá ainda. Que bom!
Fiquei internada no Hospital Mater Dei por 17 dias que me pareceram longos e penosos. Logo eu, que tenho verdadeiro pânico de agulhas, passei esses dias sendo furada e espetada pelo menos 3 vezes por dia. A cada instante os médicos resolviam fazer um novo exame e lá ia eu, com meus bracinhos já magrinhos e quase sem veias… Isso sem contar os enjôos diários. Eu já acordava direto pro saco plástico que ficava estrategicamente pendurado na beirada da cama. Uma beleza para meus acompanhantes que às vezes tinham que interromper seu café da manhã pra segurar minha testa. Eca!!!
Acompanhantes, aliás, que seguraram muito mais que minha testa. Seguraram a barra comigo, me deram força, coragem, me ajudaram a não sucumbir. Não fiquei nem um minuto sozinha. Minha família, que eu amo e honro pela vida toda, esteve ao meu lado incondicionalmente.
Além deles, muitos amigos, de perto, de longe e até virtuais, me ligando, visitando, orando por mim… Foi uma verdadeira corrente de amor.
Sou muito grata a cada um e a Deus por tê-los ao meu lado.
Após os 17 dias, recebi alta e depois de um curto período de descanso para o fígado, retornei às quimioterapias. Sim, porque os tumores não cederam, continuaram lá, à espreita, tentando encontrar um jeito de me derrubar. Mas ainda não foi dessa vez.
A quimioterapia agora passou a ser mais agressiva, com novos medicamentos. Aí o processo recomeçou… muito enjôo, perda de peso e de cabelos. Mas até que fiquei uma carequinha muito charmosa. Ganhei diversos lenços lindos e coloridos, boinas e um chapeuzinho muito fofo. Fiquei uma verdadeira francesinha, com meu chapeuzinho panamá pretinho.
Voltei ao trabalho assim que saí do hospital. Trabalhar me dá ânimo, preenche meus dias, eu me divirto com meus colegas e assim, não dou muita trela pra doença. Sem falar que, quem me conhece, sabe, adoro meu trabalho!
Com a mudança de medicação, meu organismo já bastante debilitado se ressentiu um pouco e acabei perdendo muito peso. Minha médica achou melhor dar um tempo nas quimios. Me receitou um suplemento pra recuperar o peso, um tal Nutridrink. Não recomendo pra ninguém, viu, gente? Ganhei 10 quilos em pouco menos de 3 meses.
Fiz, nesse final de novembro, novos exames. Os tumores continuam lá, no baço, no hilo pulmonar esquerdo e no mediastino. Não diminuíram nem um milímetro. Mas a boa notícia é que também não aumentaram. E não surgiu nenhum filhotinho. Graças a Deus!
Então, por enquanto, fico sem a químio. Ufa!!! Isso pra mim é o melhor de tudo. Porque se tenho sido forte e guerreira em enfrentar esse “caranguejo”, pra tal quimioterapia eu sou um fracasso. Fico, literalmente, um caco. Vomito o tempo todo, não consigo comer, fico amarelo-esverdeada…
Combinamos então, eu e minha médica, de manter as coisas assim, controladas pelos exames mensais de sangue e tomografias trimestrais até que meu organismo esteja mais recuperado e forte.
Ando cansada, é verdade. Uma caminhada um pouco mais longa e eu já preciso parar para tomar fôlego. As atividades domésticas que eu fazia tranquilamente num sábado, agora levo o fim de semana todo e nem consigo acabar tudo. Bendito seja!
Com isso venho aprendendo a dar mais valor a coisas que realmente são importantes. Ando pensando um pouco mais em mim, fico a toa, às vezes, assistindo TV ou navegando na internet sem culpa. Isso pra mim era inadmissível, antes. Primeiro a casa tinha que estar impecável.
Agora dou importância a outras coisas. Coisas que vamos aprendendo quando caimos na realidade de que não somos eternos.
O saldo final, digo de coração, tem sido muito bom. Não tenho medo, não me sinto uma vítima. Ao contrário, tenho procurado aprender tudo que Deus tem tentado me mostrar há 7 anos e eu teimava em não querer ver. Creio mesmo que nesse último ano e meio, desde que as metástases surgiram, aprendi a ser mais feliz do que em minha vida toda. E me sinto preparada. Para o que Deus decidir a meu respeito.
Enquanto isso, vou vivendo um dia de cada vez. E sendo feliz assim.
Algumas pessoas não entendem, acham que não pode ser real, que ninguém encara uma doença dessas com tamanha tranquilidade. Mas eu e muitos outros que passamos pela mesma luta estamos aí pra mostrar que é possível, sim.
A força vem junto com a luta, a fé aparece no meio do desespero, de uma forma que somente Deus explica. E a flor da coragem vai nascendo um pouco mais a cada dia, furando o asfalto, vencendo o medo!

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