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Archive for novembro \24\UTC 2012

Em Cima do Salto

Não criei esse blog com esse objetivo, mas quando tive, em 2010, a primeira metástase do câncer primário que me foi diagnosticado em 2005, achei importante compartilhar com meus amigos e leitores sobre como tudo começou e o caminho que venho trilhando desde então.
Esse compartilhar tem como foco deixar as pessoas que me amam e me acompanham a par das minhas notícias, para que torçam e continuem comigo nessa caminhada e também para dividir com outras pessoas que, porventura, estejam passando por situação semelhante, o meu (parco) conhecimento, as minhas experiências.
Durante todo esse período, desde que contei sobre a doença, tenho recebido um grande número de mensagens, por e-mail, pelo Facebook, nos comentários aqui do blog… Algumas mensagens muito fortes, outras amorosas, muitas de troca de experiências, mas todas cheias de carinho e apoio. Todas me emocionam muito. Quem já passou ou está passando pelo mesmo que eu, bem sabe como é essencial ter esse apoio, mesmo que distante, mesmo que virtual.

Sei que ao compartilhar essas coisas tenho me exposto um pouco. Bastante, talvez. Mas não me arrependo de fazê-lo. Dividir minha luta com vocês tem me tornado mais forte, mais positiva. Aqui fiz grandes amigos, conheci outras histórias, mantenho contato por e-mail, por telefone e até pessoal com pessoas que conheci por meio dessas postagens.

Bom, volto ao assunto agora. Alguns de vocês sabem que fiz, ontem, um novo exame, após 2 meses da cirurgia de retirada do baço e cauda do pâncreas. Sei que esperavam, ansiosos como eu, pelo resultado e vim aqui contar.
Infelizmente, não foi um bom resultado como eu estava esperançosa. Tão pouco tempo da cirurgia e já estou com nova metástase. Um pequeno tumor no que os médicos chamam de “leito operatório”, ou seja, no mesmo local de onde foi retirada parte do pâncreas.
É um nódulo pequeno, mas vai exigir cuidados. Como o tempo da cirurgia foi muito curto para seu surgimento, a chance de ele crescer rapidamente é grande. Ainda não passei pela minha oncologista, mas os médicos do Mater Dei já me adiantaram que o mais acertado nesse caso é o retorno às quimioterapias.
Como já contei pra vocês, o melanoma, no estágio em que se encontra, é incurável (salvo intervenção divina, se Ele quiser), então, o tratamento a que estou sendo submetida é paliativo. Tem como foco retardar a doença ao máximo, tentar evitar o aumento exagerado dos tumores e o acometimento de órgãos vitais como pulmão, ossos, fígado e cérebro.
Tenho surpreendido a toda equipe médica que me acompanha. Já foram feitos alguns estudos, outros estão se iniciando, mas até agora, não se sabe o que há em meu organismo que, de alguma forma, está me protegendo, já que nos casos de metástases como o meu, são raros os pacientes que sobrevivem mais de dois anos. Já estou entrando no oitavo ano desde o diagnóstico.
Meu coração me diz que o que está me protegendo não está dentro do meu organismo, mas fora. Mais precisamente, lá em cima. Sei que vocês me entenderam.

Mesmo assim, apesar de toda a força que tenho recebido, apesar da minha humilde e pequena fé, tenho tido momentos de muita tristeza. Faz parte do processo. Sou uma pessoa, não sou uma heroína de ficção. Já disse isso aqui e repito: não quero engolir minha dor e me fingir de super poderosa só pra não decepcionar os que crêem em mim e na minha força. Tenho meus momentos de fraqueza, choro muitas vezes, especialmente nas madrugadas. Não por medo de morrer, mas por tristeza mesmo em pensar que posso deixar as pessoas que amo, principalmente minha filha. Mas não me condeno, não me recrimino por isso. Aceito e espero passar. Sempre passa. E eu levanto a cabeça de novo, enxugo os olhos e retomo a caminhada. Porque sei que tenho a quem dar a mão na hora dos tropeços. Vocês. Meus amigos, minha família, meu Deus!!!
Não vou descer do salto assim tão fácil!

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Dizem que quando estamos envelhecendo, começamos a ficar saudosistas. Ou quando começamos a ficar saudosistas é porque estamos envelhecendo.

Faz sentido. As crianças, adolescentes e jovens vão ter saudades de quê, se o momento deles está acontecendo agora?
Não que nós, que já passamos um pouquinho dos 30, não tenhamos ainda bons momentos. Temos, temos muitos.
O saudosismo a que me refiro é da mocidade mesmo. Das paixões arrebatadoras da adolescência, da ilusão de poder que tínhamos nessa idade, dos sonhos do que íamos ser quando “crescêssemos”… De coisas que hoje em dia não existem mais e que eram tão boas. Das serenatas. Ah, as serenatas!!!
Dois jovens apaixonados, uma janela, um violão… Algumas vezes o jovem cantor não se arriscava sozinho e levava um ou dois amigos.

Passei um pedaço da minha adolescência em João Pinheiro, cidadezinha do interior de Minas Gerais e de lá tenho doces lembranças das tão emocionantes serenatas.
No começo, eram para minha irmã mais velha. Eu era só uma pirralha de 11 anos. Mas, romântica de nascença, quase sempre era a primeira a acordar, ao menor som de um dedilhar de violão…
Algum tempo depois, quando já era eu a adolescente, morei novamente na pequena João Pinheiro e fui, algumas vezes, alvo das tão esperadas serenatas.
Em minha casa, todos amávamos esses momentos. Principalmente meu pai. Muitas vezes, ele acordava primeiro e corria a nos chamar. Íamos todos pra janela, pra espiar por alguma frestinha.
Não se usava abrir a janela, ao menos enquanto o “Romeu” não terminasse sua declaração de amor em forma de canção. Corria-se o risco do rapaz ficar tão constrangido que desafinasse.
Quando a música estava quase chegando ao fim, era costume piscar umas duas ou três vezes a luz, para que o menino soubesse que tinha sido ouvido. Era um sinal de agradecimento também.
Às vezes, o rapaz ia embora e a gente voltava a se deitar, mas dormir? Ah, era difícil. Se tínhamos sido o alvo da serenata, era impossível retornar ao sono. A ansiedade pelo amanhecer, quando poderíamos ver nosso Romeu era imensa. E quando acontecia, quase sempre os olhares eram tímidos, disfarçados, acompanhados pelo bater descompensado do coração…
Em alguns casos, abria-se a janela, o jovem cantor apaixonado oferecia uma flor…
Mas em minha casa, era sempre diferente. Meu pai era quem fazia questão de abrir, não apenas a janela, mas a porta. O cantor e seus amigos eram convidados a entrar. Minha mãe fazia café, servia com pão de queijo ou biscoitos. Muitas vezes meu pai ia até mesmo pro fogão, fazia galinhada e todos comíamos, enquanto conversávamos animados até o amanhecer.
Alguns anos mais tarde, os jovens apaixonados trocaram os violões pelas fitas cassetes, onde gravavam as músicas preferidas da menina a quem queriam ou estavam namorando. Não era tão bonito quanto as serenatas de violões, mas ainda sim, era emocionante.

Recentemente reencontrei muitos amigos da minha infância e adolescência, graças ao famoso Facebook. Muitos deles, da minha querida João Pinheiro. A emoção, as recordações são inevitáveis. Sim, é saudosismo. Sim, estamos envelhecendo. Mas, afinal, quem não quer envelhecer assim, com lembranças tão doces? Afinal, éramos felizes. E sabíamos!!!

Não me assusta o saudosismo, o envelhecimento. Só lamento que, como diz o escritor Paulo Sant’Ana em sua linda crônica “a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos…”
Especialmente esses, que dividem comigo tantas boas e ternas recordações!!!

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DUB…IEDADE!

Musicalmente falando, DUB é (hoje) um estilo musical que surgiu na Jamaica e era, inicialmente, uma forma de remix de músicas reggae.
Já aqui em Belo Horizonte, DUB (www.facebook.com/dubmaletta) é um bar, aberto recentemente, localizado na varanda do tradicional Edifício Maletta. Segundo os donos, o bar veio com uma proposta de modernidade nesse local histórico de BH. O site Divirta-se diz que “o bar Dub se firma como mais uma boa opção do Maletta.
Há controvérsias. O site da Veja BH diz que, “apesar da boa qualidade do cardápio, o atendimento derrapou”.
No meu caso, derrapou e capotou várias vezes. Considerando o que me aconteceu ontem, 10/11, DUB pode ser abreviação de DUBitável ou DÚbio.
O dicionário diz que DUB…itável é aquilo de que se pode duvidar, algo ambíguo, impreciso, incerto. Já DÚB…io é definido como aquilo que se presta a diferentes interpretações; duvidoso, hesitante, indeciso, vago; mal definido.

Começou assim: Decidi comemorar meu aniversário com familiares e amigos e, por indicação de uma amiguinha, que trabalha no DUB, optei por nos reunirmos lá. Troquei algumas mensagens pelo Facebook com ela, pedindo informações sobre o lugar, reservas, etc. Numa dessas mensagens, dia 01/11, escrevi “Acredito que serão entre 30 a 40 pessoas…”.
Quero deixar claro aqui que minha amiga não teve nada a ver com o ocorrido, ela foi super prestativa, gentil e profissional, inclusive fazendo a parte dela em recomendar o estabelecimento onde trabalha.

No dia 3/11, troquei outras mensagens, já com um donos do DUB (Davi). Numa delas, me referindo à quantidade de convidados, eu disse: “Até agora, já temos 20 pessoas confirmadas, mas acredito que chegaremos a 30…”. Ele então me passou o telefone do local e me pediu para ligar para acertamos tudo.
Muito bem. Liguei e fechamos as reservas para as 20 horas do dia 10/11. Eu disse que poderiam chegar a 35 pessoas, perguntei se podia levar um bolo e se minha filha de 17 anos poderia entrar com uma amiga. Ficou tudo acertado. Coloquei os dados do local no evento criado no Facebook e fiquei toda feliz, preparando lembrancinhas para oferecer aos meus convidados. Tudo bobaginhas, mas feitas com muito carinho. Incluí o dono do DUB e minha amiguinha que trabalha lá na lista das lembrancinhas.
Finalmente o dia 10 chegou. Às 19 horas liguei para o DUB para ver se estava tudo ok e para avisar que eu já estava indo, pois queria deixar tudo preparado para quando meus convidados chegassem. Colocar uns crachazinhos divertidos que eu fiz para todos e as lembrancinhas nos lugares de cada um…
Seria uma noite muito divertida. E foi. Mas não lá!

A pessoa que me atendeu quando liguei (Bárbara) disse que não havia nenhuma reserva em meu nome, mas que ia ligar pro dono e ver com ele. Já fiquei meio aflita. Ela me retornou minutos depois dizendo que tinha sim, a reserva, que meu nome apenas tinha sido anotado de outra forma. (Será???).
Perguntei novamente, para garantir, se estava tudo ok e ela me disse que sim, mas que só tinha lugares sentados para 12 pessoas. Quando eu falei que seriam mais pessoas, conforme minha conversa com o tal Davi, ela disse que não tinha jeito. Que a casa só comporta 60 pessoas e que não poderia colocar meus convidados todos assentados. Que conseguiria, no máximo uns 20 lugares.

O dono do DUB me ligou então e tivemos uma conversa muito desagradável. Ele disse que eu não tinha deixado claro o número de pessoas, o que não é verdade, já que numas das mensagens eu disse que poderiam chegar a 30 convidados e depois, por telefone, falei que seriam entre 30 a 35 pessoas. Ele disse que as pessoas nunca chegam juntas num evento, umas chegam mais tarde, outras vão embora mais cedo, que alguns convidados poderiam ficar no balcão, de pé, circulando, que a gente ia se ajeitando, etc.
Expliquei a ele que não, que íamos comemorar um aniversário. As pessoas iriam todas, pretendíamos nos assentar, beber, comer e eu não ia deixar uma parte dos meus convidados de pé, esperando que uns fossem embora para outros se assentarem.
Não houve jeito. Ele mal me deixava falar e finalmente perguntou se eu ia querer desse jeito mesmo, porque se não quisesse ele tinha muita gente ligando e querendo fazer reserva.

Foi uma situação muito chata, fiquei muito nervosa. Como conseguir um outro local que aceitasse receber essa quantidade de pessoas assim, de última hora, sem ter feito reserva antecipada? E pior, eu não tinha o celular de todo mundo, alguns de meus convidados eu só tinha o contato pelo Facebook. Alguns estavam vindo de Sete Lagoas, já estavam na estrada.
Foi um sufoco e uma tristeza muito grande pra mim, que gosto tanto de fazer tudo sempre direitinho, organizadinho. Consegui, com a ajuda de amigos, encontrar um lugar bacana, sem frescura, sem ares de querer ser o “novo point cult” da cidade. O Ponto do Espetinho, (www.facebook.com/ponto.doespetinho.7?ref=ts&fref=ts) no Santo Antônio. Mesmo estando com dois garçons ausentes, eles nos receberam com muito carinho, alegria e até participaram da nossa comemoração.
A noite foi agradável e alegre mas não consegui avisar algumas pessoas que acabaram indo ao DUB…itável e saindo sem entender nada. Hoje falei com essas pessoas, me desculpei muito. Como meus amigos são pessoas super bacanas, ninguém ficou chateado comigo. Mas a sensação de tristeza e decepção no meu coração vai levar um tempo pra acabar.

Então, amigos, se querem tomar uma cervejinha, comer um petisco ou comemorar alguma coisa no Maleta, cuidado. Escolham com carinho. Tem muitas opções bacanas lá. E sem DUB…iedade!!!

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