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Archive for novembro \17\UTC 2013

por um fio

Recebi, no dia do meu aniversário, 11 de novembro, um fio de esperança. A liminar judicial me garantindo o direito ao medicamento Yervoy (ipilimumabe).
Como já contei aqui, no último petscan que fiz, foram detectadas metástases ósseas (nas costelas e coluna lombar), na lateral da coxa esquerda e na parte posterior do pâncreas. O ipilimumabe é uma medicação nova, aprovada recentemente no Brasil e que acena com a possibilidade de uma sobrevida maior para pacientes com melanoma metastático, cujas lesões não possam ser removidas cirurgicamente e que já tenham usado as outras medicações. É o meu caso. No entanto, o medicamento não é coberto pelo SUS e nem pela maioria dos planos de saúde. Tive que recorrer à justiça para conseguir a autorização do meu convênio.
O tratamento consiste em 4 doses do medicamento, ministrados com intervalos de 21 dias entre eles. Inicio a primeira dose amanhã, 18/11, às 10:30 e, se tudo correr bem, o tratamento termina no final de janeiro.

Esses últimos dias tem sido de muita tensão e ansiedade. Já passei duas vezes por processos quimioterápicos, mas essa é uma medicação nova, com efeitos colaterais fortes e graves. Não adianta tentar pensar que não vou ter nenhum. Pode acontecer ou não. Por isso, apesar da esperança, a ansiedade é normal. Não existe garantia de cura em casos metastáticos, mas há uma grande possibilidade de uma sobrevida acima das expectativas. Como eu já me encontro totalmente fora das estatísticas (raramente um paciente sobrevive a um melanoma por nove anos), acredito e espero que a medicação tenha um efeito bastante positivo.

Hoje fiquei pensando sobre essa coisa de esperança. Apesar de parecerem similares e serem confundidas, esperança não é otimismo. Otimismo tem mais a ver com bom humor, com a capacidade de permanecer alegre mesmo contra as circunstâncias. Não é o meu caso. Não estou alegre. Nem poderia. Acho que ninguém estaria, no meu lugar. Mas estou esperançosa. E esse sentimento é diferente.

No dicionário, a esperança é descrita como uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal.
A esperança requer perseverança — acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário. O sentido de crença deste sentimento o aproxima muito dos significados atribuídos à fé. Além disso, para se ter esperança, é preciso ter coragem. Segundo a Psicologia Budista, a coragem é um estado que surge quando nos movemos além da esperança e do medo.

Achei interessante saber que a palavra coragem tem a mesma raiz que a palavra francesa coeur, que significa coração. Costumamos associar nossa mente ao cérebro. Os budistas a associam ao coração. E dizem que é preciso aquecer nossa mente-coração para ter coragem!

Então, vamos lá. Fazendo meu aquecimento pra aumentar a coragem. E alimentar a esperança!!

Coisas por um fio

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